O Bodhisatta foi, certa vez, um príncipe. Antes de seu nascimento, um grupo de quinhentos ascetas que vivia no Himalaia desceu à cidade para comprar sal e temperos, e eles dormiram no parque real. O rei os convidou para o palácio para uma refeição, e pediu que ficassem como seus hóspedes durante a estação chuvosa. O rei mostrou-lhes grande honra e forneceu tudo o que precisavam.
No dia em que os ascetas partiram para voltar para casa, eles pararam para descansar ao meio-dia, e alguns dos discípulos discutiram sua pena pelo rei não ter filhos. Ouvindo isso, seu líder olhou para o futuro e adivinhou que a rainha principal conceberia naquela noite. Um dos ascetas ouviu a previsão e sabia que poderia beneficiar-se dela, então fingiu doença e ficou para trás quando os outros partiram. Ele correu de volta para a cidade o mais rápido que pôde, e disse ao rei que teve uma visão divina em que a rainha principal logo daria à luz um filho. O rei alegre pediu ao asceta para ficar e deu-lhe uma casa no parque.
O Bodhisatta nasceu e foi criado com todo o conforto. Quando o Bodhisatta tinha sete anos, o rei precisou ir reprimir uma rebelião na fronteira, e disse a seu filho para cuidar do asceta. Um dia, o Bodhisatta saiu para encontrar o asceta no parque e viu que ele estava trabalhando no jardim: ele havia se tornado bastante rico cultivando legumes, frutas e ervas e vendendo-os no mercado. O Bodhisatta o chamou de mundano e foi embora sem mostrar nenhuma honra.
Para proteger seu privilégio, o asceta sabia que tinha que arruinar o Bodhisatta. Depois que o rei retornou à cidade, o asceta derrubou seu banco, quebrou seu pote de água, espalhou grama em sua cabana, besuntou seu corpo com óleo e deitou-se fingindo dor. O rei encontrou o asceta dessa forma quando passou para uma visita. Ele disse ao rei que o Bodhisatta o havia atacado sem provocação, e, sem hesitar, o rei enviou os carrascos para decapitar seu filho.
Quando capturado, o Bodhisatta pediu para ser levado para ver seu pai antes de ser morto, e os servos concordaram. Quando o Bodhisatta ouviu a acusação contra ele, negou ter atacado o asceta e insistiu que o homem era, na verdade, um falso asceta. A pedido do Bodhisatta, o rei conversou com as pessoas no mercado e descobriu a verdade. E quando a cabana do asceta foi revistada, um esconderijo de dinheiro foi encontrado. A multidão voltou-se contra o asceta e o espancou até a morte.
Desgostoso com o comportamento tolo e precipitado de seu pai, o Bodhisatta o repreendeu publicamente e declarou que estava saindo de casa para tornar-se um asceta. O rei pediu, mas não obteve, perdão, então ele disse a sua esposa para tentar mudar a mente do Bodhisatta. Mas ela desafiou seu marido, e incentivou seu filho a ir. Ele caminhou para o Himalaia e alojou-se em uma cabana construída por Vissakamma, o construtor-chefe do céu, e foi cuidado por vários deuses até tornar-se adulto.
Durante a Vida do Buda
O falso asceta era um nascimento anterior de Devadatta, um discípulo do Buda que tornou-se seu nêmesis e tentou matá-lo três vezes. O Buda contou a seus discípulos essa história para que soubessem que Devadatta também havia tentado, sem sucesso, matá-lo no passado.
A mãe do Bodhisatta e o líder do grupo de ascetas eram nascimentos anteriores da mãe de nascimento do Buda e de Sariputta, um dos principais discípulos do Buda.

