O Bodhisatta foi, certa vez, um asceta que vivia no Himalaia. Perto de sua cabana, um mangusto vivia em um formigueiro e uma cobra em um tronco oco. Os dois animais estavam sempre brigando, então o Bodhisatta pregou a eles sobre o valor da harmonia e a insignificância das discussões, e eles começaram a se dar bem. Um dia, quando a cobra havia saído, o Bodhisatta viu o mangusto dormindo na entrada de sua toca com a boca aberta e perguntou por que ele ainda tinha medo da cobra. O mangusto respondeu que não desprezava mais a cobra, mas ainda desconfiava dela. O Bodhisatta garantiu-lhe que não havia mais nada a temer, então o mangusto parou de ser desconfiado.
Durante a Vida do Buda
A cobra e o mangusto eram encarnações anteriores de dois soldados de alta patente que se odiavam e falavam rudemente toda vez que se encontravam. Nem o rei nem seus amigos e familiares conseguiam corrigi-los. Um dia, o Buda adivinhou que esses dois homens estavam próximos de ter um avanço espiritual, então na manhã seguinte ele saiu coletando esmolas em suas casas. Enquanto estava sentado com eles, o Buda pregou sobre a bondade amorosa e o dharma com tanta eloquência que ambos se tornaram discípulos. Os dois soldados perdoaram-se e viveram em harmonia a partir de então.
Mais tarde, quando o Buda ouviu alguns de seus discípulos discutindo como ele havia tornado os dois soldados humildes, ele lhes contou esta história para que soubessem que também havia reconciliado os mesmos dois homens em vidas passadas.

