O Bodhisatta foi, certa vez, um asceta. Antes disso, ele era um rei justo e generoso que sempre observava fielmente os dias sagrados; e encorajava os outros a fazerem o mesmo. Mas seu capelão era perverso. Ele falava mal dos outros, mentia, aceitava subornos e dava veredictos injustos em disputas.
Uma vez, depois que um dos conselheiros do rei criticou o capelão por não guardar os votos do dia sagrado, ele começou a fazê-lo no meio da manhã. Mais tarde naquele dia, o capelão viu uma mulher observando o dia sagrado e deu-lhe uma manga. Logo depois disso, o capelão morreu e renasceu no Himalaia como um espírito com a forma de um homem adulto, e viveu em um palácio dourado em meio a um glorioso mangueiral. (O mangueiral sendo resultado de dar a manga à mulher.) Ele era servido por dezesseis mil ninfas e se deleitava com canções e danças a noite toda. Essa foi sua recompensa por observar metade de um dia sagrado. Mas como ele aceitava subornos e cometia outros pecados, do amanhecer ao pôr do sol seu belo corpo se transformava em uma criatura horrível tão alta quanto uma palmeira. Ele tinha apenas um dedo por mão e, com unhas do tamanho de pás, tinha que arrancar a carne de suas costas e comê-la, enquanto gritava de dor.
Pouco depois da morte de seu capelão, o Bodhisatta renunciou ao trono, e retirou-se para uma vida ascética em uma cabana de folhas ao longo do rio Ganges. Ele vivia apenas da comida que conseguia coletar, e um dia encontrou uma grande manga madura do mangueiral do ex-capelão flutuando rio abaixo. Era uma fruta perfeita, tão deliciosa que o Bodhisatta ficou obcecado e não comia mais nada. Ele sentou-se na margem do rio e resolveu não sair dali até que outra manga chegasse boiando. Sete dias ele ficou ali, adoecendo de fome, vento e calor, mas nenhuma outra manga veio.
Percebendo o sofrimento do Bodhisatta, uma deusa do rio adivinhou que ele era escravo de seu apetite devido a tantos anos comendo apenas os melhores alimentos no palácio. Ela queria aliviar seu sofrimento, então veio e o exortou a cessar sua indulgência. Ele disse que não podia e, se ela não o ajudasse, as pessoas a culpariam por sua morte. Então, com seus poderes, a deusa transportou o Bodhisatta para o mangueiral onde as mangas especiais cresciam, e ele comeu até fartar-se.
Enquanto vagava por ali, o Bodhisatta viu o espírito em sua forma terrível durante o dia e em sua forma divina durante a noite. Ele perguntou o que causava esses dois tipos, e o espírito revelou que ele havia sido o ex-capelão do Bodhisatta e confessou seus pecados daquela vida. Quando o Bodhisatta explicou porque havia vindo ao mangueiral, o espírito prometeu fazer flutuar muitas mangas maduras rio abaixo. Pelo resto de seus dias, o Bodhisatta viveu no contentamento das mangas perfeitas e da meditação mística.
Durante a Vida do Buda
Uma vez, alguns seguidores leigos do Buda vieram ouvi-lo pregar, e ele os elogiou por observarem os dias sagrados. Contou-lhes esta história para mostrar que fazê-lo pode trazer grandes recompensas.
A deusa do rio era um nascimento anterior de Uppalavanna, uma das principais discípulas do Buda.

