O Bodhisatta foi, certa vez, uma pomba. Naqueles dias, as pessoas costumavam pendurar cestos pela cidade para os pássaros morarem, e o Bodhisatta havia se instalado na cozinha do tesoureiro do rei.
Um dia, um corvo sentiu o cheiro de peixe e carne cozinhando e quis comê-los. Quando viu o Bodhisatta voar para a cozinha, ele tramou um plano para chegar à comida. No dia seguinte, o corvo seguiu o Bodhisatta de lugar para lugar enquanto ele se alimentava. Sabendo que tinham dietas muito diferentes, o Bodhisatta perguntou ao corvo por quê. O corvo respondeu que respeitava a postura da pomba e queria ficar sempre com ela. Naquela noite, quando o cozinheiro viu o companheiro do Bodhisatta, ele pendurou um cesto para ele morar.
Os dois pássaros moraram juntos na cozinha por vários dias até que finalmente o cozinheiro pendurou um pouco de peixe ali e o corvo decidiu que era hora de conseguir parte daquela comida esplêndida que ele havia procurado. Ele passou a noite gemendo alto, e na manhã seguinte, quando o Bodhisatta estava saindo para procurar comida, disse que estava com dor de estômago e não podia ir. O Bodhisatta sabia que os corvos não tinham dor de estômago e, portanto, sabia o que o corvo realmente estava tramando. Ele instou o corvo a não fazer isso, mas foi em vão.
Quando o corvo viu o cozinheiro sair da cozinha, voou para pegar um pouco de peixe. Mas ele pousou ruidosamente em uma peneira e o cozinheiro correu de volta para dentro. Ele agarrou o corvo, arrancou todas as penas, cobriu-o com molho e especiarias e o jogou em seu cesto para sofrer uma morte lenta e dolorosa. Quando o Bodhisatta voltou, ele repreendeu o corvo por sua ganância e por não ter ouvido bons conselhos. Então o Bodhisatta voou para encontrar outra moradia.
Durante a Vida do Buda
Um dos discípulos do Buda, que havia sido o corvo em um nascimento anterior, era ganancioso. O Buda contou esta história a ele para explicar como a ganância já o havia levado à ruína uma vez.

