Gandatindu Jataka (#520)

O Bodhisatta foi, certa vez, uma fada da árvore. O rei e todos em sua corte eram terrivelmente perversos e, como resultado, a sociedade entrou em colapso. As pessoas eram roubadas pelos homens do rei durante o dia e por bandidos à noite. As pessoas temiam tanto o rei, que escondiam-se em florestas como animais selvagens durante o dia, deixando as aldeias abandonadas.

O Bodhisatta recebia um tributo anual de mil moedas do rei, então pensou que poderia convencê-lo a mudar seus hábitos. Uma noite, o Bodhisatta flutuou para o quarto real, emitindo uma luz brilhante e anunciando-se como o deus da árvore de ébano malabar. Ele disse ao rei que governantes negligentes como ele encontrariam a destruição nesta vida, e renasceriam no inferno na próxima. Ele deveria sair e ver o sofrimento que causou; isso o motivaria a reformar-se. O rei foi tocado pelas palavras do Bodhisatta e, no dia seguinte, colocou seus conselheiros no comando e partiu disfarçado com seu capelão para visitar as pessoas no campo.

Naquela noite, eles encontraram um velho voltando para casa da floresta com sua esposa e filhos. Enquanto removia a barreira de espinhos que havia colocado na frente da porta, ele pisou em um e amaldiçoou o rei, dizendo que esperava que ele fosse atingido por uma flecha. O capelão perguntou ao homem por que ele amaldiçoava o rei, já que não era ele quem colocava os espinhos no chão. O homem respondeu que era culpa do rei ele precisar construir uma barreira e fugir dos cobradores de impostos todos os dias.

O rei ficou cheio de culpa e disse ao seu capelão que deveriam voltar para casa e começar a acertar as coisas, mas o Bodhisatta possuiu o capelão momentaneamente, fazendo-o dizer que deveriam investigar mais a fundo. Eles foram para outra aldeia, onde viram uma pobre velha que estava coletando folhas caídas de uma árvore. Ela amaldiçoou o rei, dizendo que esperava que ele morresse logo para que suas filhas pudessem casar-se. O capelão perguntou-lhe por que ela odiava o rei, sendo que ele não era responsável por organizar casamentos. A velha respondeu que estava colhendo folhas para suas filhas adultas que ainda moravam em casa; com todo o caos no reino, poucos homens queriam casar-se.

Em seguida, eles ouviram um fazendeiro em seu campo, amaldiçoando o rei porque seu boi havia sido ferido pelo arado, dizendo que esperava que o rei fosse morto por uma lança. O capelão perguntou ao homem por que ele detestava o rei sendo que ele mesmo era quem havia ferido o boi. Ele respondeu que o acidente aconteceu quando estava enfraquecido pela fome, porque os cobradores de impostos haviam roubado sua comida.

No dia seguinte, uma vaca feroz chutou um homem enquanto ele a ordenhava, ferindo-o e derrubando o balde. O homem amaldiçoou o rei, dizendo que esperava que ele fosse morto por uma espada. O capelão perguntou ao homem por que ele culpava o rei, não a vaca. Ele respondeu que a comida era tão difícil de encontrar, que ele teve que ordenhar uma vaca selvagem que nunca havia sido ordenhada antes.

Enquanto o rei e o capelão caminhavam pela estrada de volta para a cidade, encontraram uma vaca que havia parado de comer devido à tristeza: um cobrador de impostos havia matado e esfolado seu bezerro para fazer uma bainha de espada. Os meninos que cuidavam da vaca amaldiçoaram o rei, dizendo que esperavam que ele morresse de uma morte triste e sem filhos. O capelão perguntou aos meninos por que eles desprezavam o rei, sendo que ele não havia matado o bezerro. Eles responderam que quando um rei malvado governa, proliferam-se as pessoas más.

Mais adiante, eles viram corvos comendo sapos. O Bodhisatta falou através da boca de um sapo para amaldiçoar o rei, dizendo que esperava que ele morresse em uma luta e fosse comido. O capelão perguntou ao sapo por que ele detestava o rei, já que não é possível para nenhum rei proteger todas as criaturas, e os sapos também comem coisas vivas, então eles não têm o direito de ficarem chateados. O sapo respondeu que a opressão do rei ao povo destruiu sua prosperidade, então poucas pessoas davam esmolas, e os corvos normalmente comeriam parte dessa comida e teriam menos necessidade de comer coisas vivas.

Quando o rei finalmente voltou para a cidade, ele governou com justiça e dedicou-se à caridade e a fazer boas ações.

Durante a Vida do Buda

Uma vez um rei veio ouvir o Buda pregar. Ele disse ao rei para governar com justiça e que os prazeres sensuais levam à miséria: quando as pessoas morrem, suas ações virtuosas são seu único refúgio. Então o Buda contou esta história como um exemplo de um rei no passado sendo salvo por seguir este conselho.

O Buda não identificou nenhum nascimento anterior além do seu próprio.

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